Por falar nos que ficam

Por falar nos que ficam

PERFIL

Soninha Sonia Francine Gaspar Marmo, a Soninha, 40, é vereadora de São Paulo pelo PPS e também colunista da Folha de S.Paulo.

O noticiário dirá: “Ônibus atropela e mata pedestre”. Se é que dirá alguma coisa.

Um corpo retorcido no chão, sem receber socorro algum, apesar de haver várias pessoas em volta. Só pode estar sem vida.

Passageiros descem lentamente do ônibus, que tem o pára-brisa trincado.

Sobre o volante, o motorista chora convulsivamente. Os ombros tremem tanto que se percebe o movimento do outro lado da pista.

Duas vidas destruídas.

A cena gruda na retina. Perturba, tonteia.

Eu vi a mulher morta.

A família ainda não sabe que ela não vai voltar mais para casa. Nunca mais.

As coisas dela ficarão para alguém.

Os filhos dela ficarão com alguém.

Hoje tem velório, amanhã tem enterro.

Daqui a uma semana, a missa – e ela será uma lembrança, uma ausência. Aquela pessoa fora do mundo há uma semana, o mundo uma semana sem aquela pessoa. Tão importante para algumas outras que elas nem sabem direito como será a vida sem ela. E eu nem sei quem ela é. Ela foi alguém que já não existe mais. Atravessava a rua, descia da calçada, se desequilibrava? Não sei. Sei que “o ônibus pegou”; o ônibus matou.

E o motorista… Com tempo indefinido de vida pela frente, já não quer saber dela. Não vê futuro para si; não se consola com o que veio antes. Aquele momento acabou com ele. Se eu tenho dificuldade para dormir hoje, que será dele?

***

Minutos depois de ter passado pelo acidente, vi um ônibus articulado passar pelo sinal vermelho em frente ao Shopping Iguatemi. Tão rápido que não consegui enxergar a placa. Acelerou em vez de diminuir quando viu que ia fechar.

Ônibus matam duas pessoas por dia em São Paulo.

Frases de vidro

FERREIRA GULLAR

Frases de vidro


Não posso negar que sou dado aos aforismos, mania que, creio eu, peguei dos surrealistas

NUMA DE minhas intervenções, na Flip, em Paraty (RJ), em agosto passado, afirmei que uma das piores coisas do mundo é querer ter razão. Referia-me, implicitamente, à guerra entre judeus e palestinos, mas exemplifiquei com as brigas de casais. O cara insiste em ter razão, discute com a mulher, ela contra-argumenta, os dois se exaltam e daqui a pouco estão amuados, cada um no seu canto. Cheios de razão, mas infelizes. “Não quero ter razão”, disse eu, “quero ser feliz”.
Mais tarde, durante a sessão de autógrafos, as pessoas repetiam a minha frase e pediam que eu escrevesse no livro. Um rapaz falou-me: “Vou agora mesmo telefonar para minha namorada e dizer a ela que me desculpe, que eu não tinha razão na discussão”. À noite, no restaurante, várias pessoas vieram falar comigo sobre a frase e outros gritavam de longe: “Não quero ter razão”.
Mas isso não é razão para me classificar de frasista. Se bem entendo, frasista deve ser aquele sujeito que fica bolando frases de efeito. Não é o meu caso. Essa frase, por exemplo, que tocou tanta gente, não a tinha pensado antes, saiu no momento. A verdade é que há muito reflito sobre a insistência das pessoas em terem razão, ainda quando se trate de um assunto sem importância.
Não posso negar, porém, que sou dado aos aforismos, mania que, creio eu, peguei dos surrealistas, autores de frases irreverentes e inesquecíveis… Como se sabe, os aforismos devem supostamente encerrar uma verdade, são sintéticas formulações da sabedoria popular, quando não a voz de Deus falando por meio dos profetas. Por isso mesmo, aquela turma de endiabrados que se juntaram à volta de André Breton valeu-se do aforismo para manifestar sua irreverência. “Bate em tua mãe enquanto ela é jovem”, dizia uma daquelas máximas, que me faz rir a cada momento que dela me lembro, como agora. Certamente, jamais pensei em bater em minha mãe, embora, naquela época, fosse ela ainda jovem. Outros aforismos são docemente subversivos como o que diz: “Parents! Raccontez vos rêves a vos enfants”, que, traduzido, perde um pouco a graça: “Pais! Contem seus sonhos a seus filhos”. E esse aqui do pintor Francis Picabia, que mais tarde se aliaria a Marcel Duchamp no movimento dadaísta: “As flores e os bombons me dão dor de dentes”. E, por falar em dadaísmo, lembrei-me da célebre frase de Tristan Tzara que assegura: “O pensamento se faz na boca”, donde pode se ter originado o conceito surrealista de escrita automática ou automatismo psíquico. Outro aforismo irreverente é este de Benjamin Péret, que depois serviu como título de um de seus livros de poemas: “Desse pão não comerei”, para contrariar a conhecida frase bíblica que aconselha: “Não diga nunca desse pão não comerei, dessa água não beberei”. Foi inspirado nesses malucos-beleza que criei meu primeiro aforismo: “O futuro é dos porcos”.
Como o uso do cachimbo faz a boca torta, certo dia, ao me deparar com um livro que ensinava tudo sobre a crase, reagi: “Maria, mãe do Divino Cordeiro, craseava mal. E o próprio Divino Cordeiro não era o que se pode chamar de um bamba da crase”.
E segui o rumo à revista “Manchete”, que ficava então na rua Frei Caneca. No caminho, fui inventando novos aforismos: “Quem tem frase de vidro não joga crase na frase do vizinho”. Cada vez mais animado, bolei o aforismo que se tornaria famoso: “A crase não foi feita para humilhar ninguém”. Na redação da “Manchete”, sentei-me à máquina e, em vez de escrever o texto que me cabia redigir, fiquei datilografando as frases recém-inventadas e inventando outras. Satisfeito com o resultado, fui à procura do Nelson Rodrigues, que trabalhava naquele mesmo andar, na redação da “Manchete Esportiva”. Li os aforismos para ele, que, após refletir por algum tempo, sentenciou: “Essas máximas, meu caro poeta, vêm em socorro de milhões de brasileiros aterrorizados pela crase”. Não sabia se estava falando sério ou gozando, mas, de qualquer modo, agradeci-lhe a opinião.
Naquela época, tornei-me fã de um mestre brasileiro do aforismo, que foi o barão de Itararé, autor de uma sentença que encerrava então uma verdade sociológica, antecipadora do Fome Zero: “Quando pobre come frango, um dos dois está doente”. Nesse mestre, creio eu, terá se inspirado Millôr Fernandes para criar aforismos de implacável realismo, como o que diz: “Todo mundo começa Rimbaud e acaba Olegário Mariano”.
Se estes sábios gozadores da condição humana são frasistas, então, não me importo de ser também tido como tal, ainda que alguns degraus abaixo.

Exercícios em locais poluídos pioram a saúde de atletas

Exercícios em locais poluídos pioram a saúde de atletas

Efeitos recaem sobre diabéticos e pessoas com doença pulmonar e cardíaca

Estudo mostra que pessoas com doença coronariana que correram expostas à fumaça tiveram mais que duplicada a chance de isquemia

MÁRCIO PINHO
DA REPORTAGEM LOCAL

São Paulo, domingo, 13 de abril de 2008

A piora da qualidade do ar na Grande São Paulo em 2007 reforçou o alerta de médicos sobre possíveis riscos de correr em avenidas ou parques muito poluídos em certos horários.
Se a idéia de que é melhor fazer exercícios, mesmo em locais poluídos, do que ser sedentário sempre foi o consenso médico, os cuidados com a poluição se tornam mais importantes após as avaliações de ar impróprio subirem 54% em 2007 e a frota da capital chegar aos seis milhões de veículos.
A principal atenção quanto aos efeitos da poluição recai sobre o grupo de risco formado por diabéticos e pessoas com doença pulmonar, insuficiência coronariana ou cardíaca. Segundo Ubiratan de Paula Santos, pneumologista do Incor (Instituto do Coração), eles devem evitar se exercitar em locais poluídos porque podem ter suas doenças agravadas.
Uma pesquisa publicada no ano passado no “The New England Journal of Medicine” reforçou essa preocupação. Apesar de ter considerado apenas 20 participantes e ter recebido críticas, o estudo escocês mostrou que pessoas com doença coronariana que correram expostos à fumaça de diesel tiveram mais que duplicada a chance de isquemia, além da redução em 35% de uma proteína que ajuda na vasodilatação.

Saudáveis
Mas os cuidados com a poluição valem também para pessoas saudáveis, apesar de os riscos não serem tão claros. “Pesquisas mostraram que quem mora em grandes avenidas, se exercita ou trabalha nesses locais, como os marronzinhos, ou que ficam durante horas no trânsito, têm mais chance de ter problemas cardíacos e respiratórios. Por que não poderia ocorrer o mesmo, a longo prazo, com o corredor saudável?” diz Ubiratan de Paula Santos.
Para exemplificar o risco, o médico cita um estudo feito em Nova York que mostrou que correr em avenidas por 30 minutos deixa o nível de monóxido de carbono no sangue equivalente a fumar dez cigarros.
O ozônio é outro dos vilões da poluição e pode provocar asma e irritação nos olhos. Os materiais particulados também oferecem riscos. “Eles provocam inflamação pulmonar e irritação em terminações nervosas, o que pode alterar a freqüência cardíaca, aumentando a pressão sangüínea e favorecendo outros problemas.”
Para evitar isso, os médicos dizem que o essencial é evitar correr ao ar livre em dias muito secos em que há inversão térmica e mais poluição no ar.
Outra dica é usar vias alternativas dentro dos bairros ou parques pouco poluídos. Se a escolha for mesmo pelas avenidas movimentadas, como a Sumaré (zona oeste de SP), a saída é ajustar os treinos para horários de menor tráfego: antes das 7h30 ou após as 21h.
Os parques também costumam permitir maior dispersão dos poluentes, ainda que alguns também tenham aumentado o número de avaliações impróprias.

Meu comentário:   Agora f… de vez, não temos onde andar de bicicleta, e não podemos correr nos poucos espaços que nos restam. É dificil deixar de ser sendentário em São Paulo.

Maiores redes zumbis do mundo controlam um milhão de PCs

Por Computerworld, EUA
Publicada em 10 de abril de 2008 - 18h15
Atualizada em 10 de abril de 2008 - 18h49

Máquinas comprometidas são capazes de enviar mais de 100 bilhões de mensagens de spam diariamente sem conhecimento do usuário.

Joe Stwart, diretor de pesquisa de malware da SecurWirks, apresentou nesta quarta-feira (09/04), os resultados do censo que realizou sobre os vários tipos de computadores hackeados que enviam spams.

O resultado do estudo foi apresentado durante a RSA Conference, que começou na última segunda-feira, em São Francisco (EUA).

A pesquisa ranqueou os 11 maiores botnets que enviam spams. O analista estima que os bots listados controlam cerca de um milhão de computadores, que são capazes de enviar mais de 100 bilhões de mensagens de spam diariamente.

O botnet que lidera a lista é o Srizibi. De acordo com Stewart, este botnet – que também pode ir com os nomes de “Cbeplay” e “Exchanger” – tinha um número estimados de 315 mil bots e pode enviar cerca de 60 bilhões mensagens por dia.

Leia Mais:
Redes Zumbis representam enorme problema em segurança da informação

Segundo o especialista, embora não tenha tido a mesma publicidade que o Storm teve no ano passado, o Srizibi contruiu a sua volta um número muito mais substancial de computadores invadidos. Comparando: o botnet Storm invadiu 85 mil máquinas, e apenas 35 mil delas foram programadas para enviar spams. Na verdade, o Storm é apenas a quinta maior rede zumbi na lista de Stewart.

“O Storm foi muito insignificante neste ponto. Ele chamou muita atenção, mas a Microsoft o incluiu em sua ferramenta de detecção de softwares maliciosos em setembro do ano passado, e isso removeu centenas de milhares de PCs do botnet”, explica Stewart.

O segundo maior botnet é o Bobax, que tem cerca um número estimado de 185 mil sistemas invadidos em sua coleção. Capaz de enviar aproximadamente 9 bilhões de e-mails não solicitados por dia, o Bobax esteve presente por algum tempo e recentemente voltou novamente às manchetes.

Pesquisadores de uma start-up chamada Damballa anunciaram um botnet chamado “Kraken” – algumas vezes escrito “Kracken” – que teria controle sobre mais de 400 mil computadores. Stewart e outros profissionais da SecureWorks acreditam que este seria uma reedição do velho Bobax, que tem vários outros apelidos: Bobic, Oderoor, Cotmonger e Hacktool.Spammer.

Esta mistura de nomes é apenas um dos problemas que o analista espera que sua pesquisa resolva ou reduza. “Eu venho acompanhando botnets por bastante tempo e há muita confusão sobre quais deles pertencem a quais famílias de malwares. Estou tentando jogar alguma luz sobre isso”, afirma.

Para tentar trazer alguma organização sobre o assunto, muitas vezes contraditório, sobre quais botnets estão no horizonte, o analista primeiro tirou as “impressões digitais de cada um deles. “Há diferenças suficientes entre a impressão digital SMTP de cada botnet, e pudemos separá-las de forma bastante acurada”, explicou.

Bots individuais implementam o SMTP (Simple Mail Transfer Protocol) com poucas variações e, ao desenvolver assinaturas baseadas em rede, o analista foi capaz de diferenciar as coleções.

Stewart também estimou o tamanho de cada botnet pela simulação de um dia de tráfego de spam – simulação derivada da base de clientes da SecureWorks – e depois, utilizando métodos de contagem e probabilidades, extrapolou os resultados para chegar ao total de botnets. Segundo Stewart, dados antigos coletados de logs de controle de servidores confirmaram que esta técnica de estimativa é bastante segura.

A idéia toda, diz ele, foi tornar fácil para qualquer um reconhecer os botnets mais perigosos. “Eu espero que este estudo permita a outros pesquisadores classificar e seguir melhor os botnets. O Bobax, por exemplo, escapou dos radares durante dois anos por causa da confusão. Ele ainda está por aí, mas os fornecedores de antivírus já podem reconhecê-lo”.

Lista das 11 maiores redez zumbis

nome da rede zumbi nº de zumbis capacidade de spam por dia
1- Srizbi 315 mil 60 bilhões
2- Bobax 185 mil 9 bilhões
3- Rustock 50 mil 30 bilhões
4- Cutwail 125 mil 16 bilhões
5- Storm 85 mil 3 bilhões
6- Grum 50 mil 2 bilhões
7- Onewordsub 40 mil desconhecida
8- Ozdok 35 mil
10 bilhões
9- Nucrypt 20 mil
5 bilhões
10- Wopla 20 mil
600 milhões
11- Spamthru 12 mil 350 milhões

Gregg Keizer - Computerworld, EUA

Spam custa 712 dólares por funcionário

Levantamento da Nucleus Research mostra que apesar dos filtros de spam, 66% dos e-mails nas caixas postais são lixo eletrônico

Por Flávia Yuri, do COMPUTERWORLD

11 de abril de 2008 - 18h55
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Uma em cada três mensagens que chegam à caixa postal do usuário é spam. Esse lixo eletrônico chega a custar 712 dólares por funcionário, por ano, para as empresas. Essas conclusões são da Nucleus Research, consultoria especializada em TI e mercado financeiro.

Em um levantamento feito com 849 usuários de e-mail corporativo nos Estados Unidos, a empresa concluiu que apesar de as companhias usarem filtros de spam cada vez mais
sofisticados, o número de mensagens consideradas lixo eletrônico chega a 66%.

Como resultado desse volume, os usuários gastam 16 segundos identificando e apagando cada spam, o que representa, segundo a consultoria, um custo anual de 70 bilhões de dólares somente nos Estados Unidos.

Olhando para o tráfico total de e-mail, a empresa estima que pelo menos 90% das mensagens que chegam aos servidores das companhias são lixo eletrônico. O usuário regular de e-mail corporativo recebe, em média, 21 spams por dia.

Os tipos mais comuns de spams identificados pelos participantes da pesquisa são de informações de suposto interesse pessoal, informações financeiras e ofertas de varejo.

Conformismo x Falta de Foco

Férias costumam ser momentos de reflexão, principalmente quando elas estão para acabar e você descobre que você não refletiu um minuto se quer sobre  tudo aquilo sobre o qual você gostaria ter refletido.

Peguei-me hoje em uma espécie de crise existencialista, me questionando sobre emprego, família, estudos e principalmente falta de foco.

Construí minha carreira sobre uma base multidisciplinar, agregando conhecimento através das mais variadas experiências que tive na área de tecnologia. Comecei a me questionar se havia feito certo, se eu não deveria ter me focado desde o princípio naquilo que eu realmente queria. Ser piloto de avião ou até mesmo em  um único ponto dentro da tecnologia.

Fui a casa de meus pais para um café da tarde. Uma coisa é certa, sempre que for possível, mantenha as pessoas que te conheceram na juventude próximas a você, porque quanto mais você envelhece, mais você irá precisar delas. Elas são a melhor ligação que você pode ter com o seu passado, são como a extensão de sua memória,  elas  vêem o filme em que você atua passar e jamais duvide da experiência daqueles que são mais velhos que você.

Meu pai me lembrou de estórias que eu já havia esquecido, estórias de pessoas super preparadas e que não conquistaram nada, e estórias de pessoas despreparadas e que de certa forma conquistaram tudo que gostariam.

E minha mãe me lembrou do que eu havia conquistado. Nunca parei para celebrar minhas vitórias sejam elas quais fossem, mas por milhares de vezes na vida parei para criticar minhas derrotas. Algo está em desequilíbrio.

Todos tem 50% de acertar ou errar, assim como eu e você, ou seja, nunca se critique de mais e nem se elogie demais também.

E quanto ao conformismo? Conformismo inicialmente me da  idéia de comodismo o que é bem diferente. O Comodista é um preguiçoso e egoísta. O Conformista aceita uma situação incomoda sem luta…. pensando bem não são tão diferentes assim, talvez o conformista seja um comodista mais chique e menos egoísta.

Não considero-me enquadrado em nenhuma das duas situações, conquistei mais coisas que muita gente da minha idade não conquistou, mas também conquistei menos do que alguns outros da mesma idade. Me conformo com a situação, de forma alguma… Mas por outro lado, sigo sob a inconteste oração de um autor que infelizmente no momento não me recordo. “Senhor concede-me serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso controlar e sabedoria para distinguir umas das outras.” (Se alguém souber o autor me avisem.)

“Preocupar-se com o futuro é tão eficaz como tentar resolver uma equação de álgebra mascando chicletes.”

Campos do Jordão fora de estação

O projeto de viver as férias em duas rodas fracassou, na quinta-feira do dia 28, estava indo para Campos do Jordão. Equipamentos a postos e o paramento adequado  para a viagem, quando em uma parada estratégica no Frango Assado da Rodovia Carvalho Pinto a moto não pegou mais.

Pane Elétrica no Frango Assado

Voltei para São Paulo com a moto no guincho e eu na boleia do caminhão

Meu  orgulho estava em frangalhos e terrivelmente frustrado, embora o Marcos e o Lima do Grupo Izzo sempre me atendessem muito bem. Eu sei que qualquer problema com a moto, pode significar até 4 meses de molho devido a peças e burocracias.

Até o momento ainda não tive uma estimativa real de prazo para resolver o problema. Retificador da Bateria.  O mesmo que aconteceu com a moto do Yuri e de outros proprietários que conheci pela internet, está faltando planejamento no Grupo Izzo para manter essas peças em estoque por aqui no Brasil, o problema com o Retificar da Bateria é mundial sites internacionais, comentam sobre isso.

Na terça-feira, quase uma semana depois, resolvi as minhas últimas pendências em São Paulo e engoli o que restava do meu orgulho e cai na estrada com um par de rodas a mais.

Fiz questão de parar no Frango Assado e tomar um refrigerante como se fosse pra tirar o agouro de ter ficado parado na estrada, só que dessa vez de carro.

Já em Campos do Jordão, procurei um hotel pra ficar, o que numa terça-feira inicio de março, foi ridiculamente fácil, além de escolher, dava até pra negociar o preço, como não estava tendendo a altos passeios, procurei o que havia de mais próximo de Capivari, e o Hotel Estoril fica bem no centro, além dos quartos terem varanda coisa que eu simplesmente adoro.

Tomei um chopp no Baden Baden para celebrar a chegada e a paz do local.

Chopp no Baden Baden

Incrível como Campos do Jordão fora de temporada é tranqüilo, o silêncio nas ruas e a paz do local são coisas raras de se ver para um morador da capital paulista como eu, ainda mais depois de ter caminhado a Avenida Paulista inteira hoje pela manhã.

Dei uma volta no centrinho de Capivari, as 18:00 hrs as lojas começaram a fechar, mas também não me preocupei, se fosse fazer compras  na terça-feira não teria o que fazer na quarta-feira.

Entrei na Igreja de S. Benedito, há muito tempo não fazia isso. Embora com toda uma opinião formada sobre a Igreja Católica templos como este ainda são lugares de reflexão e nesses momentos solitários conversar com Deus ainda é uma boa. Ajoelhei-me em sinal de respeito e conversamos brevemente, na verdade dei uma de visitante ingrato que há tempos não aparece e quando aparece resolve pedir e cobrar algumas dívidas. Acho que vou voltar lá amanhã. Quem sabe até uma missa. Sinto que o assunto não está terminado. Vamos ver….

Parece papo de espiritualistas, mas em parte é verdade.

Acordei hoje com aquela famosa dúvida. O que é que eu vou fazer hoje????

Pra não perder o costuma dei uma olhada no jornal e li meus e-mails. Paguei algumas contas e fui levar o lixo reciclável até o Pão de Açúcar Supermercado,  já que o prédio não conta com coleta de lixo seletiva.

Sem mais nada pra fazer e sem nenhuma vontade de ficar em casa, desci ao Térreo para continuar minha leitura, boa desculpa pra ver movimento e gente nova. Labirinto um livro da Kate Moss muito bom, do tipo que prende o leitor.

Saí para almoçar a idéia era comer em algum lugar desde que fosse a pé, estar em casa tudo bem, mas pelo menos algum tipo de exercício eu tinha que fazer.

Fui caminhando até a Rua Diana, tem uma casa de espetinho muito boa por lá, a esperança era encontrá-la aberta.

Nada, bati com a cara na porta e pra não perder a viagem continuei andando sem rumo. Alias pra quem não tem rumo qualquer caminho é uma viagem.

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Fui até o restaurante Alemão da Sumaré, Bier & Bier. Um garçom com um misto de agitação e má vontade me recebeu arremessando o prato e o cardápio na mesa.

 

Por sorte logo em seguida outros vieram retirar o pedido e retirar a impressão inicial do atendimento meia-boca.

O prato estava muito bom, Hamburguer Steak, vale a pena pedir, vem com ovo, cebola frita e batata.

Pedi a conta, o café seria no Treviolo, do outro lado da avenida.

Atravessei a avenida, o café que estava bombando. Me senti um alienígena.  Em plena segunda-feira todo mundo super arrumado e eu…. de férias. Bermuda, camiseta e tênis.

Fazia tempos que queria conhecer a casa, e ao que parece o pessoal vai almoçar por lá.

Sentei na varanda contemplando o movimento da avenida. Cinco operários tentavam a todo custo mover uma caçamba de entulhos de lugar. O desafio deles virou meu passatempo. Parecia impossível… Mas nada como a experiência histórica…. Um deles usou uma das invenções mais antigas da humanidade. Toras de rolagem,  colocaram 2 toras sob a caçamba e fizeram-na rolar sobre elas, problema resolvido, junto com o café.

Voltei caminhando até o Parque da Água-Branca, construíram um aquário bem bacana por lá, somente com peixes da nossa fauna.

Parei na praça de leitura e continuei com meu livro, há uma grande paz nesse parque durante a semana.

Voltei para casa… Talvez esse realmente tenha sido o meu primeiro dia de férias.

Enfim Férias

Parada no Posto Borsatto

Nunca fui muito bom em fazer coisas sem muita programação ou planejamento, mas cada vez que tiro férias, tento obstinadamente  deixar a vida seguir seu curso sem muita interferência. Em outras palavras tento não atrapalhar o curso regular da vida e dos fatos.

A programação das férias para esse ano já começaram aparentemente de maneira desordenada, acabei fracionando minhas férias em duas metades, coisa que nos últimos 7 anos nunca aconteceu.  Não havia outra alternativa, uma nova equipe estava sendo montada no trabalho uma auditoria estava para acontecer e eu não poderia me afastar por tanto tempo. A correria no trabalho de minha mulher também indicava que esse ano não conseguiríamos tirar férias juntos.

Não havia feito planos, porém sabia de uma única coisa. A vida seria em duas rodas.

Na segunda-feira fiz os preparativos para aquilo que seria a minha primeira viagem em duas rodas de longa duração. O Destino a cidade de Itararé, fronteira de São Paulo com o Paraná, noroeste de São Paulo.

A última vez que fui pra lá a estava perfeita em todo o trajeto, não existe convite melhor para colocar a moto pra rodar.

 Instalei os alforjes na moto e dei algumas voltas na cidade para verificar como ele se comportava.

Motos feitas 100% para velocidade como a Daytona não vêem preparadas para carregar bagagens, mas os alforjes se acomodaram bem.

Separei um kit de roupas e distrações que julgava adequado (livros e notebooks). Na terça-feira, abasteci a moto e rumei para a Rodovia Castelo Branco.

O clima estava ótimo e o trânsito tranqüilo, aos poucos me afastava da capital o sol no verde das plantações e nas poucas áreas de florestas que ainda existem, trazia um certo ar de tranqüilidade.

A Daytona avançava a 130, 140 como se estivesse voando, o motor roncava em um ritmo constante, mesmo de jaqueta e os equipamentos de segurança a sensação de liberdade é fascinante.

A única preocupação era com o consumo, motos como a Daytona não são feitas para viagens a grandes distância e até por questões de conforto recomenda-se uma parada a cada 150 quilômetros.

Saí da Rodovia Castelo Branco e peguei um ramal no município de Tatuí que liga a Castelo Branco a Raposo Tavares. Do ponto mais alto do ramal dava pra se ver extensas plantações, uma imensidão verde que define a principal característica agrícola do nosso país.

A parada estava programada para o posto Borsatto na Rodovia Raposo Tavares, a 150 quilômetros de distância da origem da jornada, bem no final do ramal.

Como de costume comi um pão-de-queijo e uma coca-cola. Abasteci a moto e toquei para o destino Itararé, mais 180 quilômetros de jornada.

A Daytona passava pela Raposo Tavares e suas curvas como se nada mais existisse na sua frente, os 125 cavalos do motor de três cilindros e 675 cilindradas, trabalhavam com folga entre 6000 e 8000 giros, nem o arrasto aerodinâmico provocado pelos alforjes era notado.

Em Capão Bonito cheguei a última etapa da viagem, a estrada que liga a Raposo Tavares ao Paraná, e passa por Itararé, os últimos 100 quilômetros que faltavam.

A única insegurança era quanto ao consumo, embora o computador da Daytona marcasse um consumo médio de 18 km/l ou 5,5 L/Km, ter uma pane seca todo carregado e sozinho não seria nada agradável.

Procurei decorar os números do socorro da Via SP, concessionária que explora e conserva as estradas da região e justiça seja feita, muito bem conservadas.

A chegada em Itararé foi emocionante, sucesso da primeira jornada, procurei o marco da cidade para tirar fotografias, mas como estava no meio de muita grama tive receio de ficar preso com a moto ali no meio.

Rumei para a casa da família de minha esposa, a lisura do asfalto nos 350 km que separam a São Paulo de Itararé, não se comparam com a terrível buraqueira na entrada de Itararé.

Passei a noite na casa e no dia seguinte voltei para São Paulo, o caminho é sempre melhor que a estalagem, para quem tem o espírito andante como diz minha avó e a estrada estava me chamando de volta.

Preparativos para um casamento

Para uma mulher os preparativos para ir a uma festa de casamento são semelhantes aos preparativos para uma peleja.

As mulheres correm aos salões de cabelereiro e uma grande transformação é feita, cabelos, olhos, bocas tomam novas cores e até peitos ganham novas dimensões.Vestidos longos são tirados dos armários juntamente com todo um conto de fadas, castelos, principes e festas, tudo isso em meio a fumaça e a correria do século XXI.

A sortuda classe masculina, que durante séculos vem se mantendo afastada de grandes produções como essa, apenas senta-se em frente a televisão já com o básico terno e grava e vê passar apressadamente de um lado para o outro as peças de um quebra-cabeça que dará novo visual a mesma mulher.

Vez por outra um ou outro questionamento é feito sempre em busca de uma resposta posítiva.

? Viu meu vestido novo? ­? pergunta.
- Claro.
- O que acho? ? buscando a certeza de que a peça agora pendurada no mancebo era a essencia de toda a produção.
- Bonito. ? respondi, como se falasse de um carro de 3 anos atras.
- Você está falando sério ? ? pergunta como se tivesse visto até o ano do carro na minha resposta.
- Claro que estou. ? agora muito mais convincente como se fosse um grande estilista.

Mais três ou quatro aberturas no armário e pronto, barulhos de cabides se acotovelando, como se quisessem sair de dentro do guarda-roupa para aproveitar o passeio da noite e lá está a grande dama do baile, em seu vestido negro novíssimo pronta para o combate.

- Vamos? ? diz decidida para o seu escudeiro armado com o controle remoto da TV e olhar perdido na programação.
- Pois não madame. ? ironiza.

O escudeiro dá aquela leve ajeitada na gravata, pega a chave do carro e escolta a grande dama para os seus minutos de glória.

Ao final da noite tudo volta a ser abóbora, a maquiagem se vai junto com as lágrimas, as meias se rasgam e a dor nos pés se faz presente. Mais uma batalha vencida.

O vestido volta para o armário até o próximo embate e o que sobrou da maquiagem se vai junto com lenços umidecidos.

Mulheres, essa magia é o que faz serem tão maravilhosas.